fevereiro 04, 2010

"Mãe, me dá uma maninha?"

Eu devia ter uns 3 ou 4 anos quando repetia essa frase a quase todo instante. Minha mãe, pacientemente, sempre respondia: "Um dia o Papai do Céu vai te dar uma". E eu continuava idealizando, idealizando... Uma bonequinha loirinha, que ia brincar comigo, com quem eu ia dividir tudo o que eu tinha, de quem eu ia cuidar sempre...
Esperei tanto ouvir uma confirmação de gravidez por parte da minha mãe, que quando ela finalmente engravidou (acho que nem demorou tanto tempo, mas para criança cada minuto é uma eternidade), perguntou delicadamente:

"Lembra que tu pedias uma maninha pro Papai do Céu...?"

Ao que imediatamente, curta e grossa, respondi:

"Tu queres me dizer que estás grávida, mãe?"

E ela estava. E eu curti intensamente cada minuto daquela gravidez, conversando com o nenê, comprando roupinhas e coisinhas para ele, planejando com os meus pais como seria depois do nascimento, escolhendo o nome...
Como assim, "o" nenê? Eu sempre soube que era uma menina! Como eu sempre idealizei.
Após o nascimento, eis que não me decepcionei em nada: Era perfeita! Bem loirinha, pequenininha, de olho azul, parecia uma boneca! E tinha o par de mãos mais delicado que eu já havia visto! Não era por acaso que eu exibia o meu bibelô para todos, tão feliz e orgulhosa... Todas as fotos daquele ano de 92 confirmam a felicidade a que estou me referindo!
O bebê esticou... Mudou... Cresceu! Brigamos muito e fizemos as pazes muito mais! Por muito tempo esperei que ela fosse exatamente do meu jeito e aprendi que todos somos diferentes. Mais do que isso: Aprendi a respeitar as nossas diferenças. Ensinei-a a falar palavrão, comer demais, dormir demais e prestar muita atenção aos ensinamentos (fosse estudando para o colégio, fosse brincando de colégio, ela sempre foi uma aluna exemplar nas minhas aulas)... Nunca conseguimos brincar de Barbie, mas, em contrapartida, corremos juntas, andamos muito de bicicleta, pescamos juntas e disputamos bravamente o melhor lugar no sofá, a atenção da Bebé, os chocolates do vô, os mimos da Jaque...
Eu me achava em vantagem por ser a mais velha, mas era ela quem dormia comigo quando eu via filmes de terror. Não raro ela aprontava alguma e fazia todos acreditarem que a culpada era eu; mas era a primeira a me defender quando algo ou alguém me incomodava...
Em 18 anos de existência, a Nathalia foi uma irmã, uma amiga, uma mãe, uma filha, uma confidente. Numa só palavra, posso dizer que ela é e sempre foi LINDA! De um coração enorme e um cabeção maior ainda (e não tô falando fisicamente, hein?). Exemplo de educação, bom senso, ponderação e inteligência, ela é aquela que eu quero ter sempre enchendo todos os espaços da minha vida e do meu coração.
Apesar dos pesares e das diferenças, somos unha e carne e não fazemos NADA sem consultar uma a outra. Ela me entende e sabe exatamente como reagir de acordo com o meu estado de espírito, seja me aconselhando ou silenciando oportunamente. Ela é o meu bebê e o meu chão, ever. Amor incondicional? Pois é.

Feliz aniversário, minha amada!

Nenhum comentário:

Postar um comentário