dezembro 28, 2010

Boas (ótimas) festas!

Como eu esperava, tive um natal maravilhoso: família reunida em volta da lareira ou do fogão o dia todo, fosse conversando, fosse cozinhando para a noite do dia 24. Muitas fotografias, histórias de família, histórias de outras famílias, brincadeiras e risadas constantes marcaram esta data tão importante para mim. Bem diferente do que acontece no Brasil, o nosso natal não foi uma preparação para a ceia, meia noite e troca de presentes. Foi união. Foi afinidade. Foi cumplicidade. O tempo todo! Desde que chegamos à fria e úmida Golegã (lembrei-me bastante, claro, das friacas pelotenses de julho), na manhã do dia 24, até o exato momento de voltarmos para casa, na manhã do dia 27.

Não preciso nem comentar que comi demais, né? A comilança faz parte do protocolo natalino...

Ave Maria

Além de todas as alegrias que eu vivi no feriado mais lindo do ano, fui presenteada pelos Filipes com um passeio à Fátima! Lá fomos nós, na manhã congelante do dia 26 (0 ºC), subir a serra de Santarém até chegarmos ao imponente Santuário.
Para quem não sabe, Nossa Senhora de Fátima foi a escolhida pela Bebé para ser minha madrinha do céu. Assim como a minha Bebezinha e a minha avó, sempre tive grande fé na força e no poder dessa santa maravilhosa, que nunca me desamparou. Em razão disso é que, independente dos discursos céticos que acompanham a história dos milagres e das aparições (e que, diga-se, eu não deixo de reconhecer alguma razão), conhecer o seu santuário foi mesmo uma alegria enorme pra mim!

A fé das pessoas, a beleza das edificações e a magia que envolve a história de Nossa Senhora de Fátima e os pastorinhos arrepiam desde o primeiro contato. Como tínhamos um pouco de pressa e fomos com o propósito exclusivo que eu conhecesse o Santuário, não pude sentar e orar como gostaria... Mas a gratidão que tomou conta de mim no interior da Basílica do Rosário ficará para sempre no meu coração.
Acredito que o encanto só não foi maior pela outra realidade ali presente: o comércio católico. Irrita-me DEMAIS o modo como a igreja pede esmolas e a contribuição econômica dos fieis, com inúmeros propósitos. Se Jesus visse o mercenarismo das vendas de velas para o cumprimento de promessas, de imagens de Nossa Senhora de tudo quanto é tamanho e forma, de terra de Fátima (pela bagatela de DOIS euros, oh my God!)... acho que ficaria triste (sim, já li o Novo Testamento).
Ainda assim, e mesmo não sendo católica, os momentos gelados que vivi em Fátima foram únicos! Lindos!

O futuro já começou!

Engraçado como, desde sempre, a semana que antecede a passagem de ano é como se fosse vivida no futuro. Pelo menos para mim. Eu penso e ajo como se já estivesse no ano que está por vir... E reflito sobre o que passou.
No post em que falei sobre 2009 ter sido um ano marcado por muitas mudanças na minha vida, em todos os aspectos, desejei que 2010 fosse o melhor ano de todos. Oxalá meus pedidos sejam atendidos novamente para 2011, porque 2010 foi, sem dúvidas, O MELHOR ANO DE TODOS!
Cresci, realizei sonhos, ri muito, amei muito mais... Tive carinho, tive compreensão, tive amor. Fui feliz! Comportei-me bem direitinho, e faço jus à continuação dessa onda de bons momentos nos anos que virão.
Quero um 2011 recheado de saúde, amor, carinho, diversão, comprometimento, reconhecimento, satisfação, fé e plenitude! Êxito em tudo, sempre!

Se conselho fosse bom, eu vendia, né? Então fica o apelo: Reflitam! Meditem! Orem! Agradeçam!

Dias muito melhores (sim, ainda melhores) estão sempre por vir... Acreditem! QUE VENHA 2011, ESSE LINDO!!!


(amanhã, vou para Viana do Castelo com a Isabel, encontrar meus primos. A passagem de ano será em Braga, com a maioria dos Champlantãs reunida na casa da Tizinha, para minha graça e felicidade! De lá, seguirei rumo a Vinhais... Período de estudos. Volto para Lisboa antes dos exames. Cuidem-se e se comportem neste reveillon! Alegria, alegria!)

dezembro 24, 2010

So this is Christmas...

And what have you done?

Além de se refletir sobre o que foi feito neste ano, o que foi feito neste fim de ano, acho que o Natal é o momento perfeito para definir metas, renovar os votos de esperança para dias muito melhores. Sim, porque dias melhores sempre estão por vir...
Aproveitem esta noite mágica e, livres de preceitos religiosos, acreditem no amor e na união que lhe são inerentes. Esqueçam o valor econômico dos presentes, concentrem-se nas intenções que o levaram até si; esqueçam o Papai Noel e pensem na energia trocada entre cada um na hora dos abraços; esqueçam da Sagrada Família e pensem nas suas famílias, que podem ser de sangue ou de coração.
Esqueçam as diferenças, perdoem (sinceramente, ok?) as pessoas de bem, deixem as mágoas pra lá (não só na noite de hoje, mas de hoje em diante).
Aproveitem cada minuto com quem estiver junto!
Iniciem um ciclo de boas energias, nesta reta final do ano... Rumo à virada de 2010 para 2011, que tem tudo para ser linda!

Amem (do verbo amar)!

Este ano vai ser diferente para mim... Sem minha mãe, sem minha irmã, sem meu pai. Mas com eles bem presentes no meu coração, as always. No frio gelado e úmido da golegã, mas com o calor do meu pensamento e da felicidade de estar vivendo esta data que eu tanto amo em meio ao meu maior sonho!

FELIZ NATAL!!!

dezembro 20, 2010

"A vida é a arte do reencontro..."

... Já dizia o poeta. "O Rio de Janeiro é lindo... E quente!", pensei eu. Para quem sai do gélido Rio Grande do Sul vestindo um casaco de cashmere, aqueles 30 ºC só podiam ser desconfortáveis. Mas o aeroporto do Galeão é uma gracinha, ENORME e cheio de atrações para se passar um dia - desprovido de casacos, claro. Lembrei que tinha saído de Porto Alegre com o celular da mãe: vou correndo aos Correios, enviá-lo pelo Sedex 10. Nem tão correndo, precisava fazer uns telefoneminhas antes: para a Laura, que ia me encontrar ali, e para os queridos que tinham ficado em terras gaúchas. Mais por força do hábito do que por saudades mesmo... Naquele ambiente carioca, eu só queria saber de chegar em Portugal de uma vez!
Fiz o check in bem tranquila, esperei a Laura... Ela chegou, conversamos sobre a Europa (ter amigas viajadas é o ouro!) e fizemos um rico lanchinho juntas. Hora do embarque. Última foto e... Tchau, Brasil!


Fiz um voo maravilhoso pela TAP. Refeições bem servidas, assentos confortáveis, comissários de bordo bem atenciosos e a companhia de um italiano hiperativo mas bem gente boa (embora ele não dormisse e tivesse feito amizade com TODOS os tripulantes, foi ótimo conversar sem parar sobre a Itália).


Não apanhamos turbulências, dormi como um nenê e desembarquei em Lisboa às 07h em ponto. Saí da aeronave direto na rua, inspirando os meus primeiros ares portugueses, responsáveis por renovar o meu espírito naquele momento! Fazia sol e céu azul e ainda dava pra sentir o ventinho gelado da madrugada...
Passei na imigração, levei uma mísera carimbada desbotada no passaporte (pelo menos o funcionário foi super simpático) e me dirigi à longa espera das bagagens... Uma hora lá acabou me deixando bem cansada.
Pronto, bagagens na mão, sala de desembarque à vista. Tenso! Como estarão os tios? Será que se lembrarão de mim? E se não vieram? E se acabaram por se cansar e foram embora? Mesmo assim, o sorriso não saía do meu rosto, de orelha a orelha...

As portas se abriram e IMEDIATAMENTE os meus olhos encontraram os da tia Lourdes. Aquela senhora loira bronzeada, linda, vestida de amarelo e branco (chique e a cara do verão!) me abriu aquele sorriso largo e cativante que só ela tem; meus olhos se encheram de lágrimas.
Saio correndo em direção aos dois e vem o tio Joaquim à frente. "- Tiiiio, que saudade!", e um abraço forte. A seguir: "- Tia...", sucedido de um choro intenso, sentido com o bater forte dos corações que se encontravam naquele abraço esperado há 13 anos. Abraço apertado, que reuniu toda a nossa família, os nossos sentimentos e as nossas lembranças num reencontro que eu posso chamar, com toda a certeza, de mágico.
Mal sabia eu que, a partir dali, tudo ia mudar. Minha visão de mundo ia ser mais completa, meus desejos tornar-se-iam mais próximos e o meu coração, ah... Indubitavelmente tomaria as proporções mais gigantescas que já se viu.

Tudo por um simples reencontro, que desencadeou outros tantos... Mas isso é assunto para outro post.

dezembro 18, 2010

Derradeiros suspiros...

Porto Alegre, 06h. Últimos olhares, última vez que entrei naquele carro que eu adorava, última vez que me acomodei naquele banco que já era meu. Olho pra frente, olho pra tudo com muita atenção. Dor no peito, angústia.
Chego ao Aeroporto Salgado Filho, corro ao balcão da TAM para o check-in. Ufa! Ainda dá tempo para um cafezinho. Mãe e Nathalia atrapalhadas como sempre, preços exorbitantes como em qualquer aeroporto... iPhone distraindo minha atenção, partidas de aeronaves na janela ao lado. Frio na barriga.
Acreditando estar ainda um pouco adiantada, dirijo-me vagarosa à sala de embarque. A fila é grande e o horário, na verdade, já era apertado. Hora das despedidas.
Olho para os três como se fosse a última vez e os meus olhos explodem em lágrimas, como um vulcão quando entra em erupção. As lágrimas que os deixaram com o azul encarnado emergiram numa forma de libertação: sai a dor, entra o amor. Queria que eles recebessem todo o meu amor naquele líquido transparente que me trazia tanto alívio. Amores diferentes, mas iguais. Minhas joias preciosas naquele momento precioso, eternizado na pulseira que nunca mais saiu do meu pulso... Queria ser do tamanho do meu coração naquela hora, e levá-los comigo.
Algumas fotos e a pressão do relógio desviam as atenções. Chega a hora de (realmente) partir. De virar as costas. De deixar a minha energia ali e sair com o vazio pesado daquela ausência... Último olhar. Os três chorando como eu. Os três sentindo como eu. Os três e eu, no momento mais íntimo que testemunhamos juntos.
Triste? Nunca! Cada despedida serve sempre para se declarar amores de maneira intensa. Cada despedida me deixa nua de sentimentos: esqueço tudo e só penso no amor. Amor sem limites, amor que era a tradução de mim mesma.
Foi assim que parti: com a certeza de que o amor dissipa qualquer distância e une corações na eternidade de cada momento. E isso é, definitivamente, imutável.

Nada se compararia, entretanto, à alegria do reencontro que me aguardava depois dali...

dezembro 17, 2010

"Não evoluo, viajo"...



Foi essa frase do Fernando Pessoa (lida na estação do Metro - Parque) que me levou a inúmeros pensamentos aleatórios e fundamentais da minha fase atual.

No meu último aniversário, passei boas horas refletindo sobre a minha vida até aquele momento: quem estava comigo, quem não estava mais, no que eu tinha errado, no que eu tinha acertado, quais eram os meus objetivos... E por aí vai. Não obstante meus principais objetivos permanecessem os mesmos, notei que eu havia mudado. O foco era outro, as prioridades também; só pessoas especiais estavam ao meu lado, torcendo por mim e me apoiando sempre. Eu podia dizer que, mesmo com os problemas inevitáveis, eu era uma pessoa feliz.
Eis que, então, recebi a notícia do prêmio da bolsa de estudos que me trouxe a Portugal. Saltei de felicidade durante muito tempo e iniciei os preparativos para a tão sonhada viagem... Correria, pressão, desesperos recorrentes e uma pitada de angústia em alguns momentos; nervos à flor da pele. Felicidade intensa, mesmo assim.
Percebi que algo tinha saído dos eixos quando faltava mais ou menos uma semana para o meu embarque, o que julguei ter sido causado pelo stress pré-viagem/mudança-de-vida que se aproximava. Lógico que não dei muita atenção a isso, afinal havia muito assunto mais importante para eu me preocupar.
Cheguei. Família, amor, abraços, sorrisos, recordações, choros e muita emoção desde o primeiro encontro. Tudo estava tão, mas tão feliz que se melhorasse estragava.
Até que estragou, de fato: sofri a maior decepção de todas as anteriores (e o meu histórico de decepções é longo... Pensa na mistura de coração mole com credulidade em excesso e ingenuidade) e senti que o mundo tinha acabado para mim, como se eu tivesse perdido o chão, o ar. Como se eu não tivesse a capacidade de distinguir o bom do mau ou quem é e quem não é digno da minha confiança. Chorei de dor, senti-me traída e, vejam só!,  injustiçada.
Mas, diferente das outras tragédias da minha vida, dessa vez não caí. Sofri o luto do choque, da perda, da mudança, mas não remoí fatos depois disso (muito embora minha opinião seja uma só - a qual, claro, está sempre sujeita a mudanças). Esbravejei e deixei passar... Não me permiti a depressões, nada seria capaz de mudar a minha vida, a minha experiência, os meus anseios. Mesmo antes de tudo isso, eu já havia decidido que nada mudaria o meu rumo. Nada nem ninguém.
Concluí, pois, que guardar rancores é perda de tempo e que superar a dor através do amor, desviando maus pensamentos e valorizando quem o que existe de bom na vida é o que há de melhor para nos fortalecer e nos ajudar a ver o lado bom de tudo. Sorri! Cantei! Me permiti! A vida é curta demais para se perder tempo com o que não traz felicidade...
É claro que não demorei a me ver completamente restabelecida. Nova, inteira, pronta para viver mais plena do que nunca os lindos momentos que me esperavam... E eles vieram! Vêm!
Esse crescimento se deu em parte pela minha força de vontade (obrigado, amigas!), mas em outra parte (bem mais considerável) pela mudança de ares que eu estou tendo o prazer de experimentar. Se não mudasse de ambiente, se não conhecesse outras pessoas e não frequentasse outros lugares, tudo teria sido bem mais difícil!
Anyway, sinto que a distância está servindo sobretudo para que eu me autoconheça profundamente, avalie os meus erros com mais crítica e analise meus acertos como exemplos. 
Sinto que cresci anos nestes três meses em terras lusitanas...! Nunca parei de viajar, seguindo destinos, seguindo o meu destino e seguindo os meus pensamentos. E, a cada nova experiência, a cada olhar ou sorriso trocado com alguém, sinto o meu coração mais completo. Cada conversa se reflete num turbilhão de aprendizados; cada história, numa nova vida; cada realidade, numa nova realização.

É como se um outro eu tivesse definitivamente tomado conta daquele que ficou em Pelotas e que nunca mais vai voltar...

dezembro 09, 2010

PORTUGAL!



Desde sempre, ouvi e li inúmeras histórias sobre a minha família: de onde eu vim, quem era quem e o que fizeram para que tudo tivesse chegado onde chegou, uma parte minúscula no Brasil e todos os outros em Portugal.
Aprendi que a nossa terra é Vinhais, nordeste serrano de Trás-os-Montes, e que a nossa família é muito conhecida lá pela firmeza de caráter de seus componentes, que sofreram muito para sempre manterem a força de seus princípios e ideais. Aprendi que o meu trisavó foi um combatente da única e pequena revolução que teve em Portugal quando da instauração da República, em 05 de Outubro de 1910 (o grande Luciano Gomes, republicano até a raiz dos cabelos, que combateu a resistência monarca em Vinhais apenas com uma machadinha). Aprendi que o nosso apelido (ou a nossa alcunha, como dizem em Portugal) é Champlantã porque quando o meu trisavô cultivava as vinhas, media a intensidade do vento com latas, que faziam "champlantã, champlantã, champlantã..." e as pessoas que observavam isso passaram a associar o rufar das latas com o temperamento reto e severo do próprio Luciano, aquele que não se calava diante de qualquer injustiça, aquele que não se calava na defesa dos seus princípios e na proteção da família... O Champlantã por excelência!
Conheci muitas das histórias do meu bisavô António Luciano, o Tonanhas, que foi seminarista, alfaiate, intelectual e carcereiro em Vinhais, que criou oito filhos da forma mais tenaz e disciplinar possível... Conheci histórias dos irmãos do Tonanhas, sobretudo as do tio Vergílio, que foi mártir do Salazar, sofreu as maiores torturas e humilhações por ser opositor ao Estado Novo Fascista, e depois do 25 de Abril se tornou um dos heróis nacionais... Conheci histórias dos irmãos da minha tia Bela, meus tios em segundo grau que sempre foram como diretos, dada a intimidade com que sempre nos tratamos - mesmo com um oceano de distância entre nós.
Conheci as histórias dos meus primos, dos lugares que viajaram, das escolhas que fizeram... Sempre senti a união dessa família maravilhosa e sempre lamentei muito não estar presente nos momentos-chave como Natal, Ano Novo, aniversários, 25 de Abril... Numa tentativa de compensar essa falta, esse vazio causado pela distância que nos separava, desenhei e escrevi muitas cartas para todos! Tirei muitas fotos dedicadas a eles, pensei muito neles em cada momento importante da minha vida, vibrei intensamente com cada telefonema, cada anúncio do carteiro e, mais recentemente, com cada e-mail oriundo da minha Terrinha amada.
Aprendi sobre a História de Portugal desde os seus tempos mais primórdios até, sobretudo, a Revolução dos Cravos...
E tudo, tudo isso sempre se deu graças ao coração gigantesco da minha Bebé... Minha madrinha, segunda mãe, vó, amiga e tudo de mais bonito que existe nas influências da minha vida e da minha personalidade. Ela, maravilhosa, sempre fez questão de me mostrar tudo, de me contar cada pormenor das suas recordações. Primeiro por amor às nossas memórias familiares, as quais ela defendia com unhas e dentes, por acreditar que não podiam se perder com o tempo. Além disso, porque contar e relembrar era a forma de amenizar as saudades tão fortes que ela sentia de tudo e todos...


Como eu e a minha irmã fomos criadas pelos meus pais e pelos meus avós (vô, vó e Bebé), crescemos apaixonadas por Portugal e pela nossa família: eu sentia como se eu mesma tivesse sofrido a dor da separação e da imigração, tamanha força que esse amor tem dentro de mim; sentia saudades de familiares que nunca tinha visto, sentia que conhecia Portugal inteiro sem nunca ter de fato pisado na Terrinha.
Sonhei tanto com o cheiro, com as pessoas, com a vivência de cada hábito no lugar original... Sonhei tanto com o encontro com o tio Hélder, a Tizinha, o Fernando, a tia Alda, o tio Leonel, a Betiz, os gêmeos e o Tomé, o tio Abílio e a tia Luísa, a Inês e a Ana Rita... A Isabel, o Jorge e a Nandinha... E todos os outros. Sonhei tanto em voltar a abraçar e apertar muito a tia Lourdes e a tia Maria, o tio Joaquim e o tio Victor... Sonhei tanto em respirar o ar de Vinhais, em percorrer as estradas transmontanas, em conhecer cada lugarzinho onde elas cresceram e que foi palco de tantas histórias da minha gente, do meu sangue...


Parecia que quanto mais eu sonhava, mais distante se mostrava essa viagem que eu considero como sendo um sonho da minha alma... Cada notícia de alguém que ia para Portugal só por ir, só para conhecer alguns dos pontos turísticos (muita gente que inclusive ficava falando mal depois) me deixava um bocado desapontada. "Quando que vai chegar a minha vez?", eu pensava frequentemente.


Quem acredita sempre alcança!

Se eu não tivesse essa máxima como lema da minha vida, teria desistido desse sonho, tão arduamente conquistado! Passei noites e noites em claro, estudando e pesquisando... Publiquei trabalhos e os apresentei muitas vezes com poucas forças físicas, fiz ginástica com os meus horários e condições de vida (trabalhando e estudando em Rio Grande, sem lugar para morar lá e vivendo às custas da boa vontade das minhas maravilhosas amigas-irmãs, que me estenderam as duas mãos, os braços, os ombros, os abraços e os corações SEMPRE que eu precisei), corri atrás de professores, de material de pesquisa... Fiz tudo o que estava (e o que não estava também) ao meu alcance, não esmoreci nunca...
E o resultado tá aí: fui aprovada na seleção que a FURG fez em conjunto com o programa Santander Universidades para estudar um semestre em Portugal! Tentei em 2008 e não consegui, fiquei como suplente e ninguém (óbvio) desistiu da bolsa, tentei em 2009 e a minha inscrição sequer foi homologada por ausência de um dos documentos (não aceitaram meu CV Lattes sem as cópias de TODOS os certificados)... Até que em 2010, com o mesmo projeto que eu sempre acreditei, fui lá, com muita fé, e participei de novo.
O resultado não poderia ser diferente: passei em primeiro lugar! E tive a liberdade de escolher em qual universidade portuguesa eu queria estudar - Universidade Nova de Lisboa, Universidade de Coimbra ou Universidade do Minho.
Impossível descrever o que eu senti quando soube de tudo isso... Que, finalmente, eu estava vivendo a maravilha da recompensa por tantos e tantos esforços, por tanta espera! Que o cara lá de cima tinha olhado pra mim e decidido que era a minha hora. E que essa minha hora tinha vindo da forma mais perfeita possível!
Por que Lisboa? Para viver com a minha tia Lourdes amada... Para viver no clima do qual eu sinto muuita falta, desde que os meus velhos se foram. Para viver em Lisboa. Por ser a UNL uma universidade nova, dinâmica, cheia de boas perspectivas e ter uma Faculdade de Direito muito bem conceituada nos padrões europeus e mundiais.
Quando cheguei aqui, inspirei o ar mais mágico da minha vida! Quando encontrei os meus queridos, chorei as lágrimas mais puras que eu já tinha chorado. E o meu coração bateu no ritmo mais emocionante que eu já havia sentido.

Sabe quando a gente se sente plena, realizada, intensamente amada e feliz?

Assim mesmo.